Mulher

Geralmente quando faço desenhos pessoais, seja por passatempo ou por estudo, gosto de fazer o trabalho sem se preocupar com tempo. Gosto de começar o desenho e ir até certo ponto — que não sei dizer de maneira consciente, apenas páro quando sei que é a hora. Gosto das primeiras impressões que tenho quando abro novamente o arquivo depois de alguns dias e, de alguma forma, consigo facilmente imaginar quais serão os próximos passos — e eu jamais obteria esse resultado num fluxo de trabalho contínuo.

Dia 7 de setembro eu comecei o seguinte esboço:

Apenas comecei a fazer o rosto de uma mulher, sem a menor idéia de como o desenho terminaria. Três dias depois, cheguei no seguinte:

Fiquei experimentando formas de desenhar o cabelo dela e cheguei neste resultado. Honestamente nem vi o tempo passar enquanto eu traçava os fios, apenas sei que, depois deste ponto, nada do que eu fazia a mais me agradava. Deixei o desenho de lado, passaram os dias, eu fazia novas tentativas de recomeçar, seja terminando o cabelo, seja esboçando um cenário ou testando inserir outros elementos. Sem sucesso.

Dia 27 de novembro eu olhei novamente para a mulher e achei a solução. Ironicamente, não foi nada de mirabolante — não foi um cenário complexo e nem o desenho de mais elementos na cena que me fizeram ficar satisfeito com o resultado. Foi a solução mais simples.

No imediato momento em que cheguei neste resultado eu não concluí que o trabalho tinha terminado. Foi apenas numa segunda olhada, dois dias depois, que eu percebi que o que faltava no máximo era a assinatura.


hr

Poste um comentário

Seu e-mail não será mostrado. Campos obrigatórios estão marcados *

*
*